O Volkswagen
O Volkswagen

O Volkswagen
Não é novidade alguma para quem me conhece que sou fissurado por carros. Desde criança, dou total atenção para qualquer coisa que tenha quatro rodas e faça barulho, e vejo que isso sempre foi uma constante em minha vida. À pouco mais de um ano, comprei meu primeiro automóvel, pelo qual tenho um gigantesco apreço, e desde então passei a dedicar meus dias a pensar como o destino é terrivelmente engraçado.
Lá pelos idos de 2001, meus pais haviam comprado um carro popular para substituir nossa Van que fora roubada. Era um Volkswagen Gol 1997 branco pérola, de único dono, e que foi nosso carro de uso diário por alguns anos. Eu, absolutamente deslumbrado com tamanha novidade, e na fina flor de meus seis anos, resolvi aproveitar que meus pais estavam distraídos e decidi conhecer o carro sozinho.
Sentado a bordo daquele “bólido”, eu me sentia um adulto. Mais do que isso, um verdadeiro piloto. Por alguma razão que não me recordo, destravei o freio de mão e fiquei balançando o volante, fingindo dirigir, até me cansar. Saí do carro, deixei a porta aberta e fui brincar com alguns carrinhos num canto da garagem. A garagem da casa onde moro é plana onde se estaciona, mas tem uma enorme rampa que termina no portão. Tragédia anunciada, o carro começou a descer.
Sem a menor ideia do que fazer diante do fato, me encolhi em um vão entre uma pilastra e a porta do motorista, que continuou aberta e passou a alguns centímetros do meu rosto. O carro desceu a rampa, arrombou o portão e o destruiu completamente, além de arrancar a porta do Gol. Meus pais vieram correndo e me abraçaram muito forte, enquanto eu tentava entender o que havia acontecido. Anos depois, minha mãe conta que se eu não tivesse me encolhido, poderia ter sido esmagado entre a porta e o portão. Parece que Deus realmente protege as crianças, afinal.
Você se pergunta agora: “Mas que diabos de história triste é essa, onde você quer chegar?” Meu ponto é o seguinte: o destino é engraçado. Eu conheço pessoas que, diante de fatos assim, teriam o mais relativo pavor de chegar perto de um carro novamente, ou mesmo de coisas que pudessem relembrar esse momento terrível. E cá estou eu, dono de um Gol 1995 azul metálico, de única dona, parado na mesma garagem em que aquele carro estava, ainda sem entender como isso foi acontecer.
Fato é que esse incidente nunca diminuiu minha vontade de aprender e ter mais contato com carros, mecânica, dinâmica e coisas do gênero. Acho que quando você quer muito alguma coisa, e se mantém fiel a isso, o destino te recompensa de alguma forma, à sua estranha maneira.
Talvez o Rodrigo de 2001 achasse isso engraçado. Eu acho.



