Super Luxo/Especial, Parte II
Super Luxo/Especial, Parte II
Super Luxo/Especial, Parte II
Aquele velho navio
Quando o Monza chegou lá em casa, e consequentemente na minha vida, eu prometi que faria uma segunda parte do seu texto, mas aleguei estar muito cansado pra isso. Tendo se passado 1 ano inteiro e dormido o suficiente para continuar com a história, aqui vamos nós.
Aconteceu de tudo nesses últimos meses. Pane na elétrica, troca de amortecedores e molas, óleo e correias novas, tudo do bom e do melhor para manter o velho sedan em boas condições de uso, como manda a regra de todo carro da família. Claro, ele ainda não é perfeitamente original, com pneus de medida abaixo do recomendado e alguns pormenores na interna pra resolver, mas ainda assim é muito bom no que se propõe: quebrar minhas expectativas, no melhor sentido possível.
Meu primeiro contato com um motor 2 litros GM, e dono de uma maciez ao rodar quase perfeita, o Monza acabou revelando um lado meu que eu desconhecia, e que se perguntasse ao meu eu mais novo, negaria veementemente: o fã do “velho luxo”.
Bancos de veludo que te recebem bem depois de um dia estressante, o potente Família 2 puxando a frente do carro de maneira linear, sempre pouco interessado em giros altos, e com a seta laranja da troca de marcha exigindo que você não passe dos 2 mil giros, a não ser que queira trocar um ideia com o frentista.
Tudo nele é voltado para o conforto do motorista, e é espantoso a forma como isso pode te afetar, depois de 4 anos dirigindo um carro que, apesar de mais novo, é bastante básico. A diferença entre a dirigibilidade do GM, muito mais linear na entrega da potência, versus o VW-Ford, cuja potência e torque estão nas rotações mais altas, é notável. Claro, são dois motores bem diferentes e com números de potência e torque nada parecidos, mas ainda cabe comparação, afinal são as chaves que tenho acesso diariamente e conheço bem. Aliás, o embate entre o Gol e o Monza é inevitável, como eu vou te contar agora.
Davi e Golias

De um lado, meu primeiro carro. Um Gol 95, que se não fosse pelo ar-condicionado adaptado e pelo motor “mais possante” frente ao AE1000 original (agora 1200), não teria muitos atrativos para justificar conforto ao dirigir. Do outro, o catamarã da GM, que além de 2.0 e do ar, tem trio elétrico e direção hidráulica, algo pra lá de favorável na hora de lidar com o trânsito e no entrar e sair da vaga na foto acima. Para piorar, o ajuste de suspensão tem anos de distância do Gol em níveis de conforto, que é mais voltado para a firmeza do que para o manejar de uma lancha esportiva.
Por mais que o Monza se prove superior em desempenho e conforto à bolinha azul Havaí metálica, eles não disputam uma vaga única na minha vida. Um dos motivos que provam isso é o que o Gol pode fazer quando provocado, algo muito mais desejável em matéria de dinâmica ao volante: a estabilidade na entrada e saída de curva.
A forma como o Gol entra nas curvas é fantástica, o que prova que é um chassis muito evoluído frente ao GM, cujo projeto vem dos anos 80. Tente fazer o mesmo no Monza e você vai ter que segurar no volante, no teto, na alma do engenheiro que fez o carro ou seja lá no que mais. Voltado estritamente pro conforto, é até um pecado querer inspirações esportivas de um sedan médio de 30 anos atrás, mas o importante é saber os limites do carro, sempre. Pelo menos foi (e é) divertido.
Longa Duração: Depois de 1 ano
É curiosa a forma como mudança de ares podem te fazer enxergar as coisas de maneira diferente. Por muitos anos fui bastante fiel à ideia que um carro de “velho” nada mais era que um atestado para aqueles que desistiram de buscar algo mais arrojado, esportivo ou divertido, e por isso, desistido de viver. Redondamente enganado, vi por esse carro que nada disso era verdade, e enxerguei que não só existe diversão e esportividade em carros assim, como também somos merecedores de mais conforto no dia a dia, ainda mais quando a vida por si só não tem sido muito confortável. A vida não é apenas entrar e sair de curva como se estivesse baixando tempo em Interlagos, as vezes ir mais devagar é terapêutico mesmo.
Se tivesse que resumir a experiência de ter e guiar o Monza SL/E 2.0 depois de um ano, diria que é uma das melhores compras pra se fazer em matéria de carro antigo, e ponto. Potente, confortável e capaz de causar susto até mesmo em carros mais novos (sim, trouxa no C4 Lounge, eu tô falando de você), o Monza mostra que não só consegue lidar bem com o peso dos 30 anos nas costas, como também tem potencial para ir muito mais longe.
Fazendo a manutenção preventiva e se acostumando com peso da consciência quando o conta-giros for além dos 2 mil giros pelo simples fato de que você pode, você terá em suas mãos um sedan capaz de fazer uma coisa que muitas situações da vida podem te negar: um afago à alma. Deixe que os bancos de veludo, o silêncio ao rodar e suspensão macia te façam querer mais da vida, e descubra que até mesmo o subir da antena elétrica e o quebra-vento parcialmente aberto com os vidros fechados podem te impressionar.
A convivência com o Monza, porém, abriu as portas para outras ideias, que apesar de antigas, ainda persistem: a curiosidade de conhecer a concorrência.
O que isso pode gerar nesse ou nos próximos anos não se sabe ainda, mas haja o que houver, vai ser interessante, e isso não seria possível sem aquele velho navio cinza Quebec. Nem tudo na vida é sobre andar depressa, mas saiba que se você precisar, o Monza vai te levar lá.
Embrace the Monzatech.



