A Primeira (Grande) Viagem do Meu Carro — Parte Boa
Tirei CNH foi para isso mesmo
Em julho, o Gol completa seis anos comigo. Primeiro carro, foi comprado com o propósito de ir à faculdade e me devolver todas as noites intacto, e isso fez por longos quatro anos. Nesse meio tempo, ele sofreu no asfalto de Seropédica e algumas idas à Itaipava, ambos no Rio de Janeiro, mas sem sequer rodar mais de 100 km num dia só.
Entretanto, a oportunidade de mudar isso bateu à porta, e eu atendi: acompanhar uma romaria de veículos clássicos, rumo à Aparecida do Norte, interior de São Paulo. Munido da intenção de descomprimir a mente após longas semanas trabalhando, a viagem era a chance perfeita de colocar finalmente o Gol na estrada, de maneira propriamente dita, pela primeira vez.
Assim, o carro partiu rumo ao mecânico para ser revisado a contento. Freios traseiros novos, velas, cabos, rotor do distribuidor (guarde esta informação) arrefecimento e fluidos revistos, para nada dar errado na estrada. Além disso, as rodas foram alinhadas e balanceadas, assim como as buchas da barra estabilizadora trocadas. Tudo certo, era só partir.
Comando da Madrugada
Por conta da distância, o grupo da rumaria, partindo do bairro de Campo Grande (RJ) precisava de um horário para lá de incomum para partir: 3:15 da manhã. Por conta do cronograma, não havia tempo a perder, então na hora combinada, estávamos eu, o Gol e o amigo Pedro Santana a postos.
Um comboio composto por um Ford Belina Ghia, um Honda Civic (7a geração) e dois VW Fusca (1300 e Fuscão 1500) era seguido de perto pelo Gol, cortando a madrugada pela primeira vez. Nas ruas, poucas pessoas que insistiam nas baladas, e na rua, nenhum carro além de nós.
Ainda frio, o pequeno VW rateava um pouco, parecendo engasgar, tal como um carro movido a GNV. Pus a culpa no frio da madrugada, parei no acostamento por 30s e deixei ele achar seu ritmo sozinho. Logo reunido com os demais carros, logo estávamos na alça de entrada da Rod. Presidente Dutra, no mais completo breu.
Nenhum carro além dos nossos, e atrás do Gol, nem mesmo o diabo. Marchas subindo, escape gritando, o som do carro ecoando pelos enormes paredões de pedra, enquanto rumávamos para São Paulo. Logo juntar-se-ia a nós outro carro, um Fiat Tempra SW, que seguiu conosco até o final. E agora a história fica boa.
Fuscão 1500: Aumente a Dose

Liderando o comboio estava um VW Fuscão 1500, na cor verde-folha, do grande amigo Gabriel, que você pode no IG @meufuscaverdefolha. Com três pessoas abordo e bagagem, ditava o ritmo da viagem, em um passo de dar inveja a qualquer um na fila. Em dado momento, me canso do final da fila e passo a acompanhá-lo, me dando conta de que aquele não era um Fusca normal.
Não bastasse o ritmo, mas era possível ver pequeninas labaredas saindo pelo escape, ainda original, a cada desaceleração. Um show de desempenho que pegava de surpresa não só a mim, mas também ao passageiro, que sempre que podia, apontava para as pequenas flamas. Na madrugada, a minúscula chama azul era um claro indicativo para continuar puxando, e assim fizemos.
Misto-quente de sensações

Eu, que nunca havia entrado na Dutra sozinho, estava fazendo isso no meio da madrugada, acelerando com amigos, ouvindo música boa e vendo o Gol tomar a estrada como se fosse Coca-Cola. Nem mesmo o pouco sono e a fome que logo aplacariam pareciam incomodar. Estava vivendo enfim o propósito do sonho do carro próprio, e isso valia cada segundo.
Incontáveis serras, reduções e ultrapassagem ditavam o ritmo, e davam a ordem: chegar logo. E assim fizemos, ao parar em um Graal para comer alguma coisa e esfriar os motores. Lanche feito, o sol começava a raiar, e tomei um susto: o que antes era um pátio vazio, havia virado um enorme encontro de carros antigos, dos mais diferentes tipos. Abaixo, alguns destaques.


O começo do fim

Antigos nacionais de todos os tipos possíveis indicavam que o dia seria cheio, e cliquei o quanto pude. Logo partiríamos rumo à SP, e agora com o sol nas costas, o ritmo era ainda mais forte. Depois, a estrada enchera mais uma vez, desta vez com ainda mais carros. Se tivesse que chutar, diria haver para mais de 300 deles, precisando até que a Polícia Rodoviária Federal fechasse a estrada, a fim de que todos entrassem em Aparecida sem problemas.

Feitos mais cliques, partimos no que seria uma longa e demorada chegada à cidade, e ao Santuário. O sol, de tão forte, fazia 9 horas da manhã parecerem duas da tarde. Após um longo anda e para, entramos na cidade, e após esperar mais ainda, adentramos a basílica.

O calor já nos cozinhava terrivelmente, mas o objetivo fora cumprido: chegar em Aparecida. No estacionamento, alguns modelos incomuns repousavam sob o sol escaldante, mas mal pude registrar, tamanho o calor. Entretanto, seguem mais alguns destaques.

Assistida à missa e consumida mais uma unidade cavalar de café, era hora de deixar o calor colossal, entrar no Gol e voltar para o Rio. O calor só piorava, e a vontade de chegar em casa era cada vez mais forte. Sem tempo a perder, deixamos a basílica e nos pusemos na estrada, rumo a mais um abastecimento.
Fome e sono eram apenas a ponta do iceberg azul metálico. Contudo, a partir daqui, as coisas não ficam tão boas.
Mas isso você só vai saber quando ler a segunda parte desta crônica, clicando aqui.



