Baila Comigo

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Querendo fugir dos problemas? O velho 2.0 pode ajudar

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Querendo fugir dos problemas? O velho 2.0 pode ajudar

É normal que todo fim de ano traga consigo a má e velha bad de natal, que é aquele desânimo retrospectivo batido com depressão e gelo, mas esse ano ela veio num período péssimo. Uma faculdade por terminar, um programa semanal para cuidar e outros mil e outros problemas já estavam me fazendo perder a esperança de que este fosse um ano tranquilo. E quando eu menos esperava, foi menos tranquilo ainda.

Perder um bom amigo já é algo dificilmente superável, mas em época de terminar a parte mais importante da sua graduação, o TCC, é pior ainda. Depois de ter menos de 1 dia inteiro para processar todo aquele universo de coisas ruins acontecendo, eu acordei parecendo uma alma penada, vagando sem rumo pela casa e completamente incapaz de enxergar alegria em qualquer coisa que fosse. Meu pai captou que havia algo errado e me chamou para mexer em qualquer coisa aleatória no nosso Monza 2.0.

Achei estranho o porquê do convite repentino, logo pra alguém que dificilmente me pede ajuda pra qualquer coisa, mas não me neguei a ajudar, querendo sair daquele estado de tristeza infinita. Era para ajudá-lo a tirar a fragata da apertada garagem, cuja saída do portão é em L, e para alguém que não manobra carretas à pelo menos 30 anos, teria dificuldade.

“Tira o carro você, eu to sem paciência”, ele disse assim que cheguei à garagem. Meio que no automático e sem questionar, entrei no carro e dei vida ao velho Família 2 injetado, que depois de uma troca de óleo recente, correias, polias e distribuidor novos, acordou sem demora. Manobra dali, dá ré de lá, e em menos de 2 minutos o carro estava fora da vaga, algo que sem as suas indicações eu com certeza não faria.

O velho navio

No portão, com meio carro pra fora de casa, pergunto se posso ir até as ruas do outro bairro com o Monza, a fim de dar uma esquentada no carro, muitos dias parado, e ouvi um sim como resposta. Eu não tinha vontade nenhuma de ir e tampouco havia planejado isso, e acho que falei no automático, pois é sempre o que eu faço com o Gol depois de muitos dias sem ligar. Não dava pra voltar atrás agora, se eu falei eu vou ter que ir.

Embiquei o sedan na rua e sai buscando as tais ruas do outro bairro, tempo suficiente pra água e óleo circularem dentro dos seus sistemas, e voltar pra casa. Na primeira rua à direita há uma grande ladeira, e por ser de manhã cedo num bairro residencial, não havia nada nem ninguém na rua, e resolvi esticar o 2.0. O que eu não esperava é que 30 anos e 94 mil km perdessem peso tão rápido.

O Monza se lançou à jato rua acima, como se ladeira nenhuma existisse. A segunda ia varrendo o conta-giros, que mesmo com a seta de troca de marcha implorando que não se passasse dos 2 mil giros, não fazia a menor cerimônia em continuar subindo. 3 mil, 4 mil, 5 mil, o silêncio do interior ia sendo jogado pela janela e a terceira já ia sendo chamada, e assim que entrou, acabou-se a ladeira. Os 1100kg responderam aos discos ventilados com muita obediência, e eu não entrei na casa dos outros sem ser convidado.

Toda a tristeza do dia anterior e a sensação iminente de que a vida não valia a pena tinham sumido. Éramos apenas eu, o Monza e um baita sorriso no rosto. E se estamos aqui, porque não prolongar o passeio? O cansado dois litros tinha uma vitalidade inquestionável, e parecia que eu estava comandando uma lancha esportiva, daquelas que nem nos sonhos você conseguiria pagar. Mesmo de suspensão macia e rodar tranquilo, o motor não tem o menor pouco caso de te colar no banco e exigir que seu cinto esteja afivelado. Se você pisar, ele VAI te dar um susto, ainda mais quando você está acostumado à motores pequenos. O torque, que é suficiente pra você nunca chegar a 3 mil giros na cidade, é intoxicante quando provocado.

É um Monza, vai na minha

No final da rua, uma curva aberta que termina numa pracinha deserta do tal procurado bairro vizinho. À quarenta por hora, qualquer curva que você fizer de forma brusca vai ser como a foto que ilustra esse texto, e não, você não pode contra-argumentar.

Foram 10 minutos subindo e descendo marcha, e tenho quase certeza que andei em todas as ruas daquele minúsculo bairro. O que parece um tempo muito curto parecia uma eternidade feliz e completamente ignorante da situação do ponteiro de combustível. Antes que meu pai desse por falta do carro, e não de mim, voltamos pra casa. Estacionei e horas depois fui perguntar o porquê dele precisar tirar o carro da garagem, e a resposta era muito conclusiva: “não sei, esqueci”.

Tudo bem, pois se havia algo de errado comigo antes daquele passeio, eu fiz questão de esquecer também.

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