O Brasil na Fórmula 1: Vai Fazer Falta?

O Brasil na Fórmula 1: Vai Fazer Falta?

Fórmula 1 foi para mim algo muito marcante, especialmente na infância. Ela me ensinou a valorizar os domingos de manhã, em que o dia só…

O Brasil na Fórmula 1: Vai Fazer Falta?

Fórmula 1 foi para mim algo muito marcante, especialmente na infância. Ela me ensinou a valorizar os domingos de manhã, em que o dia só começava depois das corridas. Me fez perguntar porque meu pai torcia tanto para “o carro vermelho” — a Ferrari de Rubens Barrichello- e não para os outros (nem mesmo para a de Michael Schumacher, seu companheiro de equipe). O som agudo dos motores V10 que me acordavam logo cedo, e a ficha que caia ainda na cama: “hoje é dia de corrida”.

Ferrari F2002: que ronco espetacular. (fonte: Google Imagens)

Nessa época eu ainda não compreendia o conceito de heroísmo, de algo tão forte a ponto de receber o título de “paixão nacional”, onde o mais próximo disso pude ver na conquista do penta em 2002. Mas como nunca dei muita audiência a futebol, e começava a me apaixonar por carros, passei a ter um olhar especial para as corridas, e ali me sentir representado como torcedor.

A grande verdade é que os anos se passaram, e com eles as temporadas da F1 foram mudando. Mais moderna, mais eficiente e para alguns, mais eletrizante, a categoria ganhou carros mais velozes e pilotos cada vez mais jovens, e em contrapartida, a participação de brasileiros no grid foi se acabando.

Existem muitas razões para isso, que vão desde o pouco interesse e infraestrutura nacionais na formação de novos pilotos, o alto custo para adentrar nas categorias de base, como o Kart, até mesmo o sinal dos tempos, onde o esporte à motor ganha o rótulo de elitista e de um nicho dito inalcançável. Some a tudo isso a busca constante de uma nação, carente de heróis, em reviver um de seus maiores ídolos: Ayrton Senna.

A “urgência” desta busca por um novo Ayrton certamente pesou na cabeça de Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Felipe Massa e tantos outros, onde milhares de brasileiros depositaram suas fichas afim de reviver as glórias dos domingos de manhã, e de se emocionar novamente ao som do “Tema da Vitória”.

Claro, nenhum deles conseguiu devolver ao Brasil a alegria de se ganhar um campeonato, mas nem por isso devemos menosprezá-los, pois, ao contrários do que muitos dizem mundo à fora, a Fórmula 1 no Brasil não morreu junto com Senna. Pódios, ultrapassagens memoráveis e brigas ponto-a-ponto por títulos fizeram muito pela continuidade do apelo nacional à categoria.

Não se deixe levar por isso. (fonte: Wikipédia)

Sim, a falta de brasileiros no grid preocupa, mas não é de hoje que o esporte à motor vem perdendo seu espaço, mas é preciso ter esperança. Se você gosta dos detalhes dos times, da briga por posições e do som (um tanto exótico, sejamos francos) dos novos 1.6 turbo que equipam os fórmulas da nova geração, dê ao esporte o prazer da sua audiência.

Se é falta de ter por quem torcer, fique atento à cena nacional. Ainda temos a Fórmula Vee, com monopostos de motor Volkswagen, a Stock Car (em especial a Old Stock e seus ferozes Opalas), a Porsche Cup e muitas outras categorias, com grid 100% nacional.

O automobilismo nacional não está morto, ele só não passa mais no domingo de manhã, e nem no canal 4.

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