O Exibido

O Exibido

Depois de vários anos consumindo como um louco conteúdo sobre motores, carros e afins, me dei conta de que me fechei numa bolha. Sim, a…

O Exibido

Depois de vários anos consumindo como um louco conteúdo sobre motores, carros e afins, me dei conta de que me fechei numa bolha. Sim, a mesma cultura que vive te dizendo que a felicidade está em entrar no seu automóvel, desbravar o mundo e conhecer outros loucos que nem você, pode te isolar. Achava piamente que todo mundo que convive comigo tinha que partilhar das mesmas ideias que eu, mas obviamente as coisas não são assim.

De uns tempos pra cá, conheci algumas pessoas que me fizeram refletir. Imagine por um momento alguém sentado no seu banco do carona, fazendo você questionar a sua paixão como um todo, enquanto você deseja que o banco ejetor do Aston Martin DB5 de 007 fosse real. Se falo de carro, sou pedante. Se acelero um pouco, estou me exibindo ou me sentindo o “machão”. Se gosto do som que meu escapamento furado faz, sou um sem noção.

Você pode pensar: “ora, basta não andar mais com essas pessoas, então”. Bom, calma lá. A cultura em torno do automóvel é muito bacana para quem curte, faz você se sentir em casa e tal, mas existem outras pessoas no mundo. É comum o indivíduo se esquecer de que existe vida fora das páginas de zoeira, dos canais de preparação e dos podcasts automotivos. (Aliás, eu tenho um, o PodCarro).

“Sentir o carro? Pra quê? Pra mim vira tudo elétrico e autônomo! Eu acho que nasci pra andar de Uber a vida inteira, dirigir é um saco! Cada acelerada que você dá faz mal ao meio ambiente, sabia?”

Esses comentários são um pé no saco, eu sei, mas isso não é de todo ruim. Perceba que essas pessoas têm opiniões DIFERENTES da sua. Elas não compreendem que você dirige por prazer, pelo valor do momento. Que cada troca de marcha e reduzida tem um valor especial, e que um eventual acelerar ou cantar de pneu é um movimento controlado, onde você não pretende acabar com a vida de todo mundo ali.

As vezes faz sim, desde que você não seja idiota. Fonte: Google Maps

Os tempos mudaram, e a maioria das pessoas querem praticidade e conforto. Não dão a mínima se haverão carros ou tapetes voadores com porta-copos nos próximos 5 anos, desde que ainda se consiga chamá-los por um aplicativo. Portanto, não se ofenda com comentários que pareçam ou sejam anticarro, a vibe dessas pessoas é outra, diferente da sua. Deixe que falem.

Absorva esses fatos e atitudes de quem discorda de você, e aprenda com eles. Você passa a dar mais valor para a cultura que tanto ama, sem precisar virar um indivíduo ultrapassado, cujo único bordão seria: “na minha época sim as coisas eram boas”. Não é preciso mudar o seu eu autoentusiasta para se encaixar no novo mundo livre de emissões e autônomo.

Não tem nada de errado em acelerar um pouco mais na estrada vazia, entrar um pouco mais animado na curva, reduzir a marcha em um túnel e ouvir seu motor subir o giro. Você gosta de carro, é normal. Curta o que há de mecânico e sensorial no mundo sobre rodas, é direito seu. Se ainda não chegou lá ainda, sonhe, vale a pena.

Portanto seja o exibido, diferente, esquisito, e seja pra você apenas. A opinião alheia anda de carona, e não ao volante.

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