O Gol Contra

O Gol Contra

“Esta garagem é pequena demais pra nós dois”

O Gol Contra

“Esta garagem é pequena demais pra nós dois”

Existe algum problema comigo. Desde que comprei meu primeiro carro, meu senso crítico sobre determinadas montadoras aflorou terrivelmente, a ponto de influenciar meus amigos e família a coligarem de minhas opiniões. Mas desta vez fui longe demais.

No início deste ano ficamos sem um Celta, o daily driver da família nos últimos 9 anos, e precisávamos de um substituto à altura, ainda que qualquer coisa com rodas e um estado decente pudesse fazer melhor que o cansado Chevrolet. Munido desse pensamento, fui atrás de um carro que pudesse cumprir as demandas de meus pais com a mesma valentia e desempenho.

Vimos Palios, Unos, alguns Fox, mas nada que fosse minimamente bem cuidado e coubesse no apertadíssimo orçamento. A ponto de desistir, lembrei-me do mesmo conselho que minha mãe havia me dado 2 anos antes: “procure um Gol. São carros honestos, mas valentes”. Dito isto, e certo de que não havia muito para dar errado, achamos um modelo 1.0, 2010, a um preço acessível e quilometragem adequada.

Nunca avalie um carro numa garagem às escuras. A placa bem que tentou me avisar. (Foto: Acervo Pessoal)

Já no dia de comprá-lo, a loucura estava instaurada, uma espécie de aviso de que não era um carro normal. Um vendedor que não era o dono do carro, apesar de ser uma venda particular, mas sim o secretário do real proprietário; o dono “exótico” e sua suntuosa instalação e até atrizes globais.. uma história que não vale a pena contar por escrito, e quem conhece até duvida. Mas voltemos ao carro em si.

Eu devia saber que já tinha visto essa história antes. (Foto: Google Imagens)

Achando ter feito um excelente negócio, afinal o carro era pouco rodado para seus 10 anos de uso, e tinha ar condicionado e direção hidráulica 100% funcionais, voltamos para casa. E fomos recebidos com uma dezena de “grilos” e barulhos na suspensão. Minha mãe, que não brinca em serviço, logo encostou o carro no mecânico afim de resolver tais problemas, e eu fui atrás do passado do carro. A busca não foi longe, e logo descobri que sua “baixa quilometragem” não tinha sido das mais suaves, afinal era um carro usado na REDUC.

Como raios eu coloquei na mão dos meus pais um CARRO DE FIRMA?”, eu me perguntava constantemente. A recepção amigável e as histórias do tipo “todas as revisões feitas em concessionária” e “todos os abastecimentos anotados” não valiam de absolutamente nada, e eu me senti enganado. Claro, era um carro relativamente gasto, e a olho nu não enganava ninguém, mas a sensação de ter feito uma má escolha pesava bastante.

Isso me fez refletir sobre a frase dita por minha mãe sobre a valentia dos Gol. Meu carro teve uma boa dose de problemas desde que o comprei, mas mesmo assim era determinado a continuar funcionando e me impressionando. Neste outro, os resultados sempre eram negativos, e ainda mais decepcionantes quando era posto em cheque seu passado e seu dono questionáveis.

Sua história conosco durou 6 meses e execráveis 2048 km, dando lugar a um novo carro, cuja história será contada no futuro. A verdade é que um nome de sucesso como o Gol não carrega suas qualidades para sempre, em absolutamente todos os carros, como assim manda a lógica. Trágico é ter que descobrir isso ao vivo.

Faça sempre um test-drive minucioso do automóvel que se pretende comprar, e levante o máximo de informações possíveis, e vá sempre munido do ideal que uma marca não é sinônimo de segurança em tudo que faz.

Não é a toa que ninguém gosta do Sr. Burns. Além do Sr. Smithers, é claro.

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