O Volkswagen, parte II

O Volkswagen, parte II

Muita coisa mudou, porém nem tudo

O Volkswagen, parte II

Muita coisa mudou, porém nem tudo

Mês que vem, mais precisamente no dia 18, o Gol completa dois anos comigo. Meu primeiro texto nessa plataforma foi sobre ele, então acho que é justo atualizá-lo, já que muita coisa aconteceu desde então.

Da estranha coincidência de ter em minha garagem um carro idêntico ao que tentou me matar 19 anos atrás, absolutamente nada resta. Pneus novos e rodas esportivas deram ao visual antes frágil e básico, uma boa dose de distinção, um falso ar de “sleeper” que eu não procurava, mas confesso que gosto. Uma mudança pra lá de necessária, pois já andava cansado de bater o fundo do carro em quebra-molas mal feitos, um ponto turístico comum onde moro.

Um volante novo, de menor diâmetro e melhor empunhadura, fez um milagre que eu não julgava possível: uma direção “queixo-duro” tão macia que requer só uma das mãos ao guiar, e devolve balizas menos dolorosas. Mesmo assim, como todo bom carro antigo, a elétrica continuava um inferno. A solução foi um alternador de Santana, que cumpre sua função com primazia. Como bem disse uma vez Mauricio Campelo, aos poucos o processo de “Santanificação” do carro vai acontecendo. Só faltam 99%.

Nesse meio tempo o Gol testou minha fé algumas vezes. Engasgos, enguiços, vazamentos, mas sempre com uma valentia impressionante, verdade seja dita. Sua principal função ele tem cumprido de forma fiel: levar a mim (e por muitas vezes meus amigos) à faculdade, incluindo a volta, no mais temível breu seropedicense.

Destas pequenas viagens eu realmente sinto saudade. As poucas luzes alaranjadas da estrada banhando o painel, um poste de cada vez, enquanto meu rádio me fazia esquecer dos problemas. Foram nessas horas em que realmente me dei conta do que significa a tão desejada “relação homem e máquina”.

Até a luz do painel combina com a noite. E pensar que eu queria trocar de cor. Foto: Ênio Júnior/Arquivo Pessoal

Essa relação é um pouco mais do que simplesmente uma frase solta que Top Gear e jornalistas automotivos jogam na gente. É se sentir conectado não com o carro em si, mas com o momento. E no caso do Gol, você REALMENTE precisa estar atento a esses momentos, pois eles são raros. Como assim? Eu explico.

Seu motor, caso você tenha chegado aqui de paraquedas, é um cansadíssimo CHT 1.0 de injeção monoponto, então você precisa lutar para exercitar cada um dos seus 49,8 cavalos. Planejar, usando do ouvido e bom senso, até onde esticar as marchas, ter paciência com o baixíssimo torque e torcer bastante pro freio de mão te segurar numa ladeira, algo crônico em vários Volkswagen. Quando você finalmente consegue driblar todos esses obstáculos, ele se mostra desperto, dócil e há quem diga até surpreendente.

Das muitas noites tentando “baixar tempo” entre a faculdade e a garagem de casa, aprendi o que ele é capaz de fazer quando provocado. Do lado de fora ninguém se impressiona, mas o que importa é que você, ao volante, sim. Passei a encarar essa relação como um constante aprendizado, onde o prêmio maior é a confiança.

O que realmente mudou em dois anos de uso? A forma como eu enxergo carros, de hoje para todo o sempre. Cada um deles tem seu tempo e temperamento, e pobre daquele que se recusa a aprender com eles. E o Gol é isso, uma escola com rodas. O que falta de desempenho, sobra em muitos outros lugares. No tanque, principalmente.

Foto: Arquivo Pessoal

Mas a história não acaba aqui, veremos o que o futuro nos reserva.

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