Super Saloons
Super Saloons
Super Saloons
“This is not your father’s Oldsmobile”, mas talvez seja.
Durante uma das várias discussões frenéticas dos integrantes do PodCarro, uma dúvida me foi plantada por Luiz Eduardo Santos: o que eu faria com 115 mil dólares (ou reais, na conversão 1 pra 1), o preço de um Mistubishi 3000 GT VR4 , em 1995? A resposta me parecia muito óbvia: compraria um Chevrolet Calibra.
Cupê duas portas, visual exclusivo e de virar o pescoço, com o excelente motor C20XE 2.0 16v e 150 cv. Uma combinação de carroceria e motor que hoje tanto nos faz falta, certamente faz meu coração bater mais alto. Porém, a verdade é evidente aos olhos dos detalhistas: é nada mais do que um Vectra duas portas.

Eu me tornei um fã incondicional de carros dos anos 90, mas não necessariamente de cupês. Uma década tão cheia de inovações tecnológicas em motores, materiais de carroceria e cheia de decisões mercadológicas questionáveis, atingiu seu ápice não em superesportivos ou mesmo com o nascer do frenesi dos SUV’s. É a década dos Super Saloons.
Berlina, Saloon, ou como bem conhecemos no Brasil, Sedan. O formato automotivo mais tedioso de todos os tempos (até a chegada dos crossovers) fica muito diferente quando lhes são adicionadas saias laterais, para-lamas levemente alargados e um discreto aerofólio. Surge um algo a mais, uma breve noção de que não estamos falando mais do carro grande que seu pai vai e volta do trabalho, algo instigante.

Nisso, no meio da conversa surge uma opção que me faz repensar, ainda respeitando o fator “carro europeu exótico dos anos 90”: Lotus Carlton, mas você costuma chamá-lo de Omega. Claro, um saloon antes normal e muito tedioso, agora revirado dos pés à cabeça pela Lotus, recém-adquirida pela GM, completamente transformado. Motor retrabalhado, câmbio de Corvette ZR1, para-lamas larguíssimos e um visual de tirar o fôlego; como não havia pensado nisso antes?
Simples: por mais maneiro que ele seja, ainda é um carro de quatro portas, e me lembra do Omega GLS “calotudo”, o mais básico da linha. O ponto é: é muito difícil construir a imagem de um esportivo usando um sedan. Todo o appeal de velocidade e potência está ali, e existe muito bem até, mas funciona melhor em um cupê.

Super saloons são uma tentativa de requentar um segmento automotivo que não foi exatamente feito para esportividade e visuais arrebatadores. Sedans são sim carros grandes e confortáveis, mas forçar uma ideia de superpotência não lhes cai bem. Cupês são, em boa parte das vezes, harmoniosas lembranças do tempo em que ter um grand-tourer era coisa de rico, algo exclusivo, parte da sua personalidade.
E é quase por isso que hoje prefiro cupês. São construções naturais, sem precisar “enxertar” elementos de outras categorias para ter mais carisma, algo que o sedã tanto precisa. Claro, esta opinião não precisa ser levada a ferro e fogo, pois ainda gosto muito de super saloons, mas acho que alguns deles não funcionam pra mim. Num comparativo de carros da Opel, pelo menos, é o Calibra quem leva.



