Honda City Touring: consumo de híbrido e velhas receitas ainda dão conta do recado

Honda City Touring: consumo de híbrido e velhas receitas ainda dão conta do recado

Na nossa primeira avaliação, o sedã compacto da Honda entra na dança: será que sem motor turbo e boa altura do solo ainda se pode vencer no mercado?

O esperado dia da primeira avaliação profissional do PodCarro chegou. Foi cedido um Honda City Touring para que pudéssemos testar por uma semana. Para quem está começando, é um passo e tanto, e agradecemos à Honda Automóveis do Brasil pelo empréstimo e confiança. Vamos ao texto.

Sedãs compactos, nos dias de hoje, estão no caminho para se tornarem raridade. Eu te desafio a pensar em cinco modelos do segmento de bate-e-pronto, sem pesquisar. Difícil, né? Também imagino que você tenha pensado que a última vez que viu um foi trabalhando como carro de aplicativo ou táxi.

Seja como for, tais modelos de uso pessoal estão a um passo de sumirem do mercado, mas os motivos você já conhece. Falemos de um que segue firme no páreo: o Honda City.

Visual sóbrio destaca uma de suas qualidades: descrição. É preciso conhecê-lo para entender a mente de quem compra, seja o sedã ou o hatch (João Pedro Borges/PodCarro)

Desde que chegou ao Brasil, há quase duas décadas, o City tinha uma função explícita: abraçar a galera que não podia alcançar um Civic, e muito menos um CR-V. Accord? Se liga, estamos falando de coisas alcançáveis. Assim, com bom pacote de opcionais e o confiável motor 1.5 i-VTEC aspirado, era um acalanto para os futuros donos de Civic. Só que os tempos mudaram.

Em pleno 2026, o público desses carros ficou limitado às suas versões básicas, destinadas ao serviço, e as mais completas são coisa rara (e cara). É aí que o City Touring entra. Custando R$ 152.700, ele promete ser uma aposta certeira e tem atributos para acompanhar (e tentar roubar) os compradores de SUVs compactos. Será que consegue?

Conjunto 1.5 i-VTEC aspirado pode não empolgar, mas encanta pelo baixo consumo

Conjunto aspirado e transmissão CVT entregam consumo típico de modelos híbridos (Rodrigo Tavares/PodCarro)

Bom, é certo que o City tenta. A Honda tem tanta confiança no produto que oferece até o modelo na versão hatch, que (ao menos aqui no Rio de Janeiro) tem aparecido mais nas ruas que o sedã. Mas falemos do Honda maiorzinho.

Assim como os modelos de antigamente, a fórmula é a mesma: motor 1.5L DOHC i-VTEC com injeção direta, até 126 cv de potência e 15,8 kgfm de torque, sempre junto do câmbio automático CVT. Nada muito excitante aos olhos menos detalhistas, e até passível de críticas como “E cadê o turbo? 2026 já, pô”.

Sim, não apostar em uma mecânica turbinada faz o City perder o brilho nos olhos de um comprador acostumado a rivais como VW Virtus e Chevrolet Onix Plus, por exemplo. Mas seria besteira ver somente desse lado. Por incrível que pareça, existe um público com verdadeira ojeriza a conjuntos turbo, cuja manutenção é mais cara e complicada.

Para aqueles alheios à modernidade, existe o aspirado. Ah, e também é econômico: beiramos os 15 km/l na cidade. Consumo de modelo híbrido no mais conservador dos sedãs a combustão é uma bossa impossível de ignorar. Gostamos.

Modernidades pontuais não desagradam, mas o próximo degrau é alto demais

Controles do controle de cruzeiro adaptativo e manutenção de faixa e demais botões são de elogiável ergonomia, e fáceis de usar (Rodrigo Tavares/PodCarro)

Ok, até agora falamos de ônus e bônus. Em matéria de “recheio”, o compacto empolga. Além do bom e velho “kit dignidade”, a versão Touring tem o sistema Honda Sensing, nome dado à aglomeração dos assistentes de condução, como piloto automático adaptativo, assistente de manutenção de faixa, frenagem de emergência e regulador automático de farol alto.

Ar digital, painel analógico com meia telinha TFT configurável e de fácil leitura, carregador por indução e visual externo levemente atualizado são boas adições. Porém, tirando a câmera no retrovisor direito, que se ativa ao dar seta, as modernidades vão parando por aí.

Me parece que o foco da marca em fazer do City um modelo prático e beeeem mais barato que o Civic, sedã mais próximo dele na linha, acabou envelhecendo e simplificando o modelo. É o famoso efeito “Quer luxo? Compre o Santana”: é o que temos para te dar; se quiser mais, pague mais.

Dinamicamente, o City não faz feio, mas também não empolga. Felizmente, diferente de outros conjuntos CVT, o ruído da aceleração não invade muito a cabine. Parece que… parece não, é injusto querer medir esse carro por desempenho, mas faz parte.

Não espere uma dinâmica digna de motores turbinados, em que o torque e a potência vêm cedo e a ultrapassagem vira passado. Nele, a resposta é boa, mas leva mais tempo. Existem motores aspirados de maior litragem e maior demora; nele você não está desguarnecido.

City Touring é um sedã com sabor de velhos tempos (e isso é bom)

Muita coisa mudou desde sua primeira passagem no Brasil (Rodrigo Tavares/PodCarro)

É engraçado como o City, por sua simplicidade e proposta (dentro da Honda) se assemelha aos sedãs médios do passado. Pense comigo: imagine o mercado de 15, 20 anos atrás, em que nomes como Toyota Corolla, Honda Civic e Nissan Sentra brigavam pela vaga das famílias de classe média alta e executivos sem grana para um Camry ou Accord.

É um compacto com ares de médio de antigamente, com equipamentos que antes esse segmento nem sonhava em ter, mas que acabou sofrendo com acúmulo de funções.

Em um cenário em que o Civic subiu escandalosamente de preço e agora é híbrido, o Toyota Corolla meio que nada de braçada no segmento, no qual o Nissan Sentra nem faz cócegas. Nisso, lá está o City, num degrau abaixo, servindo de bote salva-vidas para um público saudoso do Civic puramente a combustão, que desapareceu no ar.

Modelo ganhou visual reformulado, com ares de Civic, fiel a sua proposta na linha Honda (João Pedro Borges/PodCarro)

O que quero dizer é: o City lembra um sedã médio à moda antiga, mesmo não sendo um. Prioriza conforto e solidez ao rodar, algo que falta nos concorrentes, sempre mais preocupados em serem mais velozes ou mais frugais.

Claro, você terá de lidar com problemas como uma central multimídia de 8 polegadas, que, apesar da bossa de tornar-se um espelho do que acontece na sua lateral direita, some com a navegação, te deixando brevemente desorientado. Além disso, se carregado, o City dá uma raspadinha em quebra-molas.

Problemas que, para mim, meio que somem quando se olha para o conjunto. O porta-malas de generosos 519 litros é um alívio nas viagens e lembra o porquê sedãs não são nada descartáveis hoje em dia.

Conclusão

Porta-malas tem bons 519 litros, o suficiente para 1.441 pacotes de copa lombo de 100g. (Rodrigo Tavares/PodCarro)

Custando R$ 152.700, a topo de linha Touring tem um salto de consideráveis R$ 35.200 frente à versão de entrada LX, na qual o motor e a transmissão são os mesmos. Entretanto, na básica, perdem-se os luxos, os ADAS e até o freio a disco traseiro.

Se o salto se justifica? Acho que não. As opções intermediárias EX (R$ 136.800) e EXL (R$ 144.200) já têm itens que facilitam a vida e serviriam melhor a este que vos escreve.

Para mim, os rivais ainda colocam o City na balança, mas o que fala mais alto pela compra são qualidades como conforto, economia e, principalmente, solidez ao rodar, coisas que o sedã entrega bem. Fórmula antiga? Sim, mas que ainda dá sabor e que prova que jogar no simples tem seu valor.

Ficha Técnica: Honda City Sedã Touring 1.5 CVT

Sedã compacto bate de frente com o segmento premium, e tem um quê de médio de antigamente (João Pedro Borges/PodCarro)

Preço: R$ 154.700
Motor: 1.5 flex, 4 cilindros, 16V, 126 cv a 6.200 rpm, 15,5/15,8 kgfm a 4.600 rpm, câmbio automático CVT com simulação de 7 marchas
Tração: dianteira
Suspensão: McPherson (dianteira) / eixo de torção (traseira)
Rodas e pneus: aro 16” com pneus 185/55 R16
Dimensões: 4.574 mm de comprimento, 2.600 mm de entre-eixos, 1.748 mm de largura, 1.477 mm de altura, porta-malas de 519 litros, tanque de 44 litros
Consumo (PBEV): 12,8 km/l (cidade) e 15,5 km/l (estrada), com gasolina; autonomia: até 682 km em uso rodoviário com gasolina

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